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Atenção Papais: a participação paterna é fundamental no desenvolvimento das crianças!

Thiago é um bebê saudável e feliz. Para sua mãe, Marcela Portela Machado Ribeiro, isto é conseqüência direta da ativa participação do pai "em todas as consultas de pré-natal", em toda a gestação e também depois do parto. Em carta que escreveu para o presidente da Sociedade Brasileira de Pediatria, Lincoln Freire, ela conta que seu marido "ficou os quinze primeiros dias depois do nascimento em casa, dá banho, papinha, mamadeira, água, remédios, participa de todas as consultas ao pediatra”. Comentando nunca ter visto referência ao pai nas campanhas sobre gestação e amamentação, Marcela propõe até uma mobilização nacional sobre o assunto. Encampando a idéia, o SBP Notícias ouviu dois especialistas no desenvolvimento infantil, um neurologista e um psiquiatra.

1. O que dizem os estudos neurológicos e os estudos na área de saúde mental sobre o desenvolvimento do bebê nos três primeiros anos?

Dr. Salvador Celia: É principalmente nos três primeiros anos que estruturamos nosso funcionamento, que depende, não só da nutrição calórico-protéica, mas também de uma vida social e afetiva de interações bem sucedidas. Nossos bilhões de neurônios e de conexões cerebrais (as pontes sinápticas) realmente se desenvolvem nesta época, sendo que, depois dos seis anos, já não o fazem com a mesma intensidade.

Dr. José Luiz Dias Gherpelli: O desenvolvimento do sistema nervoso da criança se dá principalmente nos primeiros anos de vida (se assumimos que o desenvolvimento intra-uterino transcorreu sem problemas). Fatores de natureza intrínseca (biológica) e extrínseca (ambiental) desempenham papel importante e complementar para que este desenvolvimento ocorra de forma adequada.

2. E na vida intra-uterina, está comprovado que o feto já entende, ouve. Então podemos dizer que o diálogo entre pais e filhos deve começar desde a gestação?

Dr. Salvador: Estudos modernos vêm nos mostrando que o feto cursa uma espécie de pré-escola intra-uterina. Conforme ele vai se desenvolvendo, por exemplo, ao chegar no último trimestre, sua senso-percepção auditiva, visual e tátil está em pleno desenvolvimento. Em relação à auditiva, usando-se hidrofones, viu-se que as vozes graves, como a masculina, chegam mais fortes do que os sons agudos de vozes femininas. Igualmente, também são conhecidos estudos de fetos que se acalmam ao ouvirem determinadas músicas e uma vez nascidos repetem o fenômeno.

Dr. Gherpelli: Na vida intra-uterina, o feto apresenta capacidade para reagir a estímulos sonoros a partir de uma determinada idade (há testes de avaliação fetal, realizados através de ultra-sonografia, que mostram modificações do comportamento fetal em resposta a estímulos sonoros). Entretanto, isto não significa que o feto apresente capacidade de integração destes estímulos da mesma forma que uma criança maior. Para que isto aconteça é necessário que o sistema nervoso apresente um determinado grau de desenvolvimento. É improvável que um feto de seis meses de idade, apesar de já ser capaz de ouvir e reagir a sons, seja capaz de integrá-los, compreendendo seu significado.

3. Qual a importância da participação do pai na gestação, no pré-natal, nas consultas pediátricas e no desenvolvimento do bebê?

Dr. Salvador: Os pais precisam ser reforçados para a parentalidade, serem apoiados e estimulados para desenvolverem atividades com os bebês, como segurar no colo, cantar, falar, contar histórias, brincar com eles. Não dependerá apenas do tempo gasto, e sim da qualidade desta interação, para que seja reforçada a auto- estima dos pais e dos bebês.

Dr. Gherpelli: Durante a gestação, o pai deve fornecer o suporte emocional à gestante e desenvolver sua adaptação à paternidade. Com isto, ele estará mais preparado para compreender os momentos difíceis que porventura ocorram. Sua participação durante as consultas pediátricas é importante, pois facilita a compreensão das várias etapas do desenvolvimento da criança, estimulando-o a participar ativamente delas.

4. O Sr. tem conhecimento sobre a existência de algum estudo sobre a participação paterna no desenvolvimento do bebê?

Dr. Salvador: Existem vários estudos como os de Brazelton, Pedersen, Bernard e outros, que comprovam os efeitos da participação paterna no desenvolvi- mento do bebê. O apoio emocional do pai e sua presença no parto está associada a uma redução da necessidade de aplicação de sedativos. A própria amamentação é também influenciada pela presença paterna. Igualmente a presença do companheiro é tida como fator primordial para prevenir a depressão pós – parto, que pode ocorrer em 15% das mulheres. A presença do pai favorece, segundo pesquisas, um melhor desenvolvimento mental tanto do QI, como do QE.

Dr. Gherpelli: Não existem estudos específicos sobre o papel do pai no desenvolvimento do sistema nervoso, entretanto, a imagem paterna é importante no desenvolvimento bio-psico-social do ser humano.

 



Fonte: Sociedade Brasileira de Pediatria




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